Saúde

Névoa mental: quando o esquecimento não é falta de compromisso

Talvez você já tenha passado por isso recentemente: estar no meio de uma reunião importante e perder completamente o fio da meada, ou olhar para uma tela de computador sabendo que precisa escrever algo, mas sentir o pensamento travar.
Muitas mulheres descrevem essa sensação como se o cérebro estivesse operando dentro de uma nuvem densa. É comum que a primeira reação seja de autocrítica, rotulando esses episódios como preguiça, falta de foco ou até uma suposta fraqueza intelectual. Mas é preciso desfazer esse mito agora mesmo: a névoa mental não é uma falha de caráter, é um sintoma.

Estudos indicam que cerca de 60% das mulheres na fase da menopausa e perimenopausa relatam algum grau desse embaçamento cognitivo. O que acontece nesses momentos é puramente fisiológico. Por trás da troca de palavras ou do lapso de memória, existe um cérebro tentando se recalibrar em meio a mudanças hormonais intensas, muitas vezes agravadas por noites mal dormidas, ondas de calor, ansiedade e a sobrecarga natural da rotina. Não é que você deixou de ser capaz ou inteligente; é o seu corpo respondendo a um novo contexto biológico que exige adaptação.

Como qualquer outro sinal que o corpo nos dá, a névoa mental merece nome, validação e, principalmente, cuidado. Ignorar ou apenas se frustrar não resolve a questão. O caminho para dissipar essa nuvem envolve um olhar integrado para a saúde, que pode passar por um tratamento médico bem indicado, seja ele hormonal ou não, mas que certamente passa pelo estilo de vida.

Levar o sono a sério deixa de ser um luxo e vira uma necessidade médica, assim como o movimento regular que oxigena o cérebro e o estímulo cognitivo constante. Acima de tudo, é preciso abrir espaço para falar sobre o que está acontecendo sem julgamentos. Entender que isso faz parte do processo é o primeiro passo para retomar a clareza e a confiança na própria mente.